O estúdio Mistwalker tem um curso um jogo de nome Lost Odyssey. Um dos personagens principais, Kaim, tem uma aparência jovem com uma idade de 1000 anos. Há mais alguns personagens na mesma condição, pessoas imortais que circulam pelo mundo. Mas as características que Sakagushi associa a esta idade são as de indiferença, talvez até apatia. Subjacente está a ideia de mundo monótono e de tédio para quem tem de aturar os "jovens" que repetem constantemente os mesmo actos.
É uma boa forma de colocar a imortalidade. Será interessante saber como se relacionam os imortais entre si, se também são camaradas, indiferentes ou se practicam as mesmas acções que caracterizam o mundo que entedia.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Idade Avançada
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sábado, 3 de novembro de 2007
A arte de jogar
Vídeo
Encontrei na Edge deste mês uma citação deste vídeo e pareceu-me bastante bizarra. Consegui encontrar o vídeo e os comentários são preocupantes. Primeiro temos aquela comparação entre formas culturais, jogos comparados a livros e a cinema. Apesar de os jogos terem histórias e imagem, na verdade não são esses os elementos vitais. A arte de fazer um jogo passa, em primeiro lugar, pela forma como estão definidos os controlos - e nesse campo os críticos tradicionais não são muito competentes na apreciação dos jogos uma vez que não têm noção de que fazem parte do jogo e que o jogo não é autónomo do jogador.
A isto segue-se outro assunto preocupante, o exemplo do livro deprimente. Eu não leio livros deprimentes, se isso é arte então não tenho nenhum gosto por essa coisa. Parece que a arte foi tomada de assalto por loucos e o melhor é manter a distância. Será melhor que os jogos se afastem dessa contaminação da arte moderna (que por acaso consegue ser bastante deprimente).
Sobre o jogo ser melhor na primeira vez que o jogamos, não estou muito certo disso. Em muitos jogos actuais, jogos muito limitados pela colagem a formatos como o cinema, isso pode ser verdade. Não é verdade no entanto para jogos mais puros, mais virados para o jogo propriamente dito e menos para outros aspectos paralelos.
Por fim vemos o senhor a comentar como o jogo é realista e dá a entender que essa será uma virtude. Não vejo porquê nem como, mas é uma coisa muito americana - deve ser por isso que os jogos desse lado do Atlântico são por regra mais feios que os do resto do mundo.
Ao ler a Origem da Tragédia consegui compreender melhor a crítica actual e as deficiências de que muita da arte existente sofre. Nos jogos o livro é particularmente pertinente, creio que tendo presentes as ideias do livro seremos muito mais cautelosos ao fazer afirmações como fez o senhor Dirda.
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razio
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3.11.07
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Etiquetas jogos
sábado, 27 de outubro de 2007
Aquilo que não sei
Ao ver este vídeo constato que desconheço muito do pós 25 de Abril. Os nomes são-me estranhos ou apenas vagamente familiares, as situações são-me desconhecidas. A postura deste PM é invulgar e com muita pena vejo que durante os 12 anos de frequência do ensino básico e secundário não houve tempo para expor convenientemente este período fundamental. Mas falei do "star system" de "hollywood" na disciplina de história. Prioridades...
No vídeo o entrevistado é José Pinheiro de Azevedo. Chamam-no fascista nos comentários do youtube, confesso que nada sei sobre ele.
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razio
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27.10.07
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domingo, 21 de outubro de 2007
A. Cunhal vs. M. Soares
Então podem fazer-se debates sem jornalistas a segurar trelas que prendem os políticos? Não é que nessas condições eles debatem mesmo! Extraordinário!
Parece que hoje em dia para ver debates temos de recorrer ao arquivo da rtp.
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21.10.07
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quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Uma nova entrada no Mapa do Verão de São Martinho, a Carreira da Índia.
Para quem gosta de literatura de viagem e descobrimentos. Os portugueses em geral.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Outono
Já é Outono e, num grave lapso, não o mencionei aqui no blog. Deixo algumas folhas de plátano, as folhas que estou habituado a ver e cheirar nesta altura desde que me lembro de existir.
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26.9.07
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sábado, 22 de setembro de 2007
Notas do Tradutor
Camilo Castelo Branco fez uma tradução de "A Formosa Lusitânia" de Lady Jackson. Deste livro ficam na memória os comentários do tradutor: vigorosos e adequados nas suas considerações. Demonstra um grande conhecimento de todos os assuntos e castiga a mediocridade do rigor inglês nas considerações sobre o país.
Dou alguns exemplos dessas notas, não os melhores, apenas aqueles que me parecem mais próprios para as minhas experiências deste dia.
114 Parece-me ser este o plebeísmo português correspondente ao knocked up. Segundo o Thesaurus of english words and phrases, de Roget, knocked up tem a seguinte sinonímia fatigued, tired, sinking, prostrate, etc. Talvez mais ao sabor plebeu, se pudesse dizer «derreadas»; porém, é quase inverosímil uma inglesa derreada - elas, que se interiçam na hirta inflexibilidade do osso sem articulação, sem costura, inconsútil. «Estafadas» pois é o melhor, acho eu.
156 Esta senhora houve-se generosamente com a princesa do Mondego. Não é esse o costume dos hóspedes ingleses, Richard Twiss, que esteve em Coimbra em 1773, homem de letras, escreveu um enorme livro acerca de Portugal e Espanha, dedicando a Coimbra as cinco seguintes linhas: «Coimbra é uma universidade situada num monte, perto do rio Mondego, sobre o qual corre uma ponte muito comprida e baixa, com muitos arcos grandes e pequenos. residem aqui cinco famílias inglesas, uma das quais pertence a um médico. Esta cidade é celebrada pelos seus curiosos copos e caixas de corno polido.»
E nada mais diz o admirador do polido corno.
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22.9.07
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domingo, 16 de setembro de 2007
Na lista de "outros espaços" acrescentei a A Geração Perdida, um blog com gente que confirma se as palavras têm as letras todas e que é um pouco menos rabujenta do que eu.
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16.9.07
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
No Abrupto podemos encontrar um texto de Boaventura Sousa Santos sobre a invasão e destruição parcial do campo de milho (?) transgénico. Um texto impecável, irrepreensível e completamente incompreensível para um mundo de gente que não gosta de pensar. Não se trata de uma legitimação de um movimento, apenas de como se desenrolam certos tipos de acção.
O 25 de Abril de 1974 foi ilegal, o 24 de Agosto de 1820 foi ilegal, o 1 de Dezembro de 1640 foi ilegal. Nem quero imaginar o que diriam estes comentadores do vital 1 de Fevereiro de 1908! É claro que estes acontecimentos não são de forma alguma comparáveis com um simples ataque a um campo de milho. No entanto não se trataram de acontecimentos instantâneos, desenvolveram-se a longo do tempo, foram ganhando dimensão lentamente. Nessas fases de crescimento sofrem-se os riscos e praticam-se as "ilegalidades" - nos encontros, nos pequenos actos de revolta, na conspiração.
Nos dias que correm já poucos crêem que no futuro existirão revoluções. É a arrogância das democracias - apesar das inúmeras falhas ideológicas e de governadas por uma maioria tonta não deixam de se achar inabaláveis. Falte o dinheiro e veremos onde pára a robustez dos nossos valores "universais".
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domingo, 9 de setembro de 2007
C.C.B.
Ao homem desamparado não se lhe podem pedir contas do pacto social, porque a sociedade não quis aliança com ele quando o desamparou. Ao homem do trabalho, que subsiste do seu salário, se lhe tiram a enxada da mão, concedem-lhe o direito tácito de se revoltar contra alguém que o alimente. (...)Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade! Tudo aqui é pequeno: nem os ladrões chegam à craveira dos ladrões dos outros países.
Citações de Camilo Castelo Branco em Vida do José do Telhado.
Nestas passagens encontro dois elementos de relevo. Um é a da justificação da pobreza extrema para o saque. É de realçar no entanto que tal argumento só se aproveita quando a palavra pobreza vem acompanhada da palavra extrema, coisa cada vez mais rara no nosso país e continente.
Na segunda passagem algo mais frequente, a tentativa de enfiar na máquina e a 90º o nosso povo de algodão. O comentário, directamente do século XIX, mostra que não só temos o hábito de encolher em pouca água a ferver, como que o tamanho já era o "XS". Serve de exemplo para aqueles que acreditam que umas poucas décadas do século XX moldaram as mentes dos portugueses. Não, esse espírito já vem de outros tempos.
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sábado, 8 de setembro de 2007
Estratégias infalíveis (parte 2 de 2)
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segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Num artigo do DN intitulado "o que falta para sair da crise" César das Neves aponta um dos graves problemas da política e da mentalidade tecnocrática. Pode-se resumir a texto na ideia de que se não avançamos é porque não sabemos para onde ir, nem sabemos bem onde estamos. Em termos de economia vai ao fundamental: é uma questão com uma forte ligação à componente cultural.
Actualmente é-me mais fácil compreender pessoas assim, com ideais ou fé, do que os comentários mais gerais e comuns. É quase como se todos os que acreditam em algo tivessem facilidade em ver o inimigo comum, o nada - esse adversário complicado.
Um pouco antes passei por este artigo, que passo a citar (sem pretender nenhuma carga negativa para o primeiro artigo):
"O dinheiro tornou-se mais e mais um Deus ao qual todos tinham que servir e diante do qual todos tinham que se prosternar. O Deus Celestial tornou-se mais e mais uma velharia ultrapassada e foi posto de lado para dar espaço ao culto de mammon. E assim começou um período de total degeneração que se fez especialmente pernicioso porque ocorria num tempo em que a Nação necessitava de ideais grandiosos, pois a hora crítica aproximava-se. A Alemanha deveria ter-se preparado para proteger com a espada seus esforços de ganhar o pão de cada dia pacificamente. Infelizmente, a predominância do dinheiro recebeu apoio e sanção daqueles que deveriam ter-se oposto a ela. (...). Na prática, contudo, todas as virtudes ideais passaram para o segundo plano em relação ao dinheiro, pois estava claro que, uma vez tomado esse caminho, a nobreza da espada brevemente seria suplantada pela finança (...). Um sério estado de ruptura económica era urdido pela lenta eliminação do controle pessoal dos investimentos e a gradual transferência de toda a estrutura económica para as mãos das sociedades por acções (...). Desse modo, o trabalho foi rebaixado a objecto de especulação ao alvedrio de exploradores sem escrúpulos. A despersonalização da propriedade aumentou em grande escala. Os círculos financeiros passaram a triunfar e progredir lenta mas seguramente na assunção do controle de toda a vida nacional. A melhor prova de quão longe essa "comercialização" da nação alemã fora longe pode ser vista claramente após a guerra, quando um dos principais industriais alemães afirmou que somente o comércio poderia reerguer a Alemanha."
Adolf Hitler, Mein Kampf
O sucesso da recuperação alemã, em termos económicos e políticos, revela a importância que um ideal combinado com uma cultura capaz de "fazer" traz tudo o que é necessário para o desenvolvimento sem estar constantemente a falar, de forma vazia, em competitividade. Claro que nem todos os ideais são bons, apenas a utilidade dos mesmos é garantida.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Sentado aqui eis que modelo homens
À minha imagem,
Um género que me seja comparável,
Para sofrer e chorar,
Para gozar e jubilar,
Para te não venerar,
Como eu!
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sábado, 25 de agosto de 2007
Ultimamente vejo bastantes mulheres grávidas, o que é sempre uma visão animadora.
Ouço ainda histórias de homens de meia idade indignados por as grávidas passarem à frente na caixa prioritárias do supermercado. Será talvez melhor evitar os assuntos tristes.
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
(...) Alguém poderá dizer: "Não te envergonhas, Sócrates, de teres levado uma vida como essa que todos nós conhecemos, e que hoje te conduziu ao risco de pena de morte?". A esse eu replicaria justamente: "Enganas-te, amigo, se julgas que um homem com algum mérito, por fraco que seja, deve ter em conta o risco de viver ou de morrer, em vez de ter unicamente na ideia quando actua, se o que faz é justo ou injusto, se é digno de um homem de bem, ou de um malvado. Na tua opinião, seriam desprezíveis todos os semideuses que morreram em Tróia, incuindo o filho de Tétis, que, para fugir à desonra, de tal modo despresou o perigo que, sua mãe (e era uma deusa!) vendo-o impaciente por matar Heitor lhe diz mais ou menos isto: "Meu filho, se vingares a morte de Patrocolo, derramando o sangue de Heitor, tu morrerás também, porque, morto Heitor, a morte está no teu destino". - Ele, não obstante o aviso, receando muito mais uma vida de covardia, sem ter vingado o amigo, desafiou a morte: "Que eu morra imediatamente - exclamou - depois de ter punido o malfeitor, e não fique exposto ao escárnio, inútil carga de terra junto às curvas naus."
Platão, Apologia de Sócrates
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domingo, 19 de agosto de 2007
Haruki Murakami
Enquanto procurava nos marcadores do firefox por uma página passo por www.randomhouse.com
e noto que tal sítio nada me diz. Segue-se o clic e lá estou a ver que a página é de um escritor japonês, Haruki Murakami. Vi que obras tinha, encontrei algumas na FNAC e até ponderei comprar. Volto à página do escritor, dou umas voltas e lá encontro as habituais citações de imprensa americana, Los Angeles Times, The New Tork Observer, ... Ter a imprensa americana a falar de nós não é bom, mas à partida não é terrível.
Estão por lá umas trocas de mail devido às traduções deste escritor nos EUA. Segundo o tradutor partes dos livros de Murakami seriam alteradas, ou melhor, seria dada a sugestão para serem alteradas. É assim que por lá entendem o trabalho do editor, trabalho que o tradutor diz ter desempenhado de forma caridosamente gratuita (estes americanos são uns simpáticos).
Tendo em conta que a tradução portuguesa decididamente terá como alicerce a americana surge um telhado de apreensão.
Falta ver quais as influências do escritor. Raymond Chandler, Kurt Vonnegut, Richard Brautigan. Todos americanos, nenhum que me interesse. Murakami decidiu ainda traduzir obras de F. Scott Fitzgerald, Truman Capote, Jonh Irving e Raymond Carver. Não li trabalhos de todos, apenas tive a infelicidade de ler um ou outro.
Não vou ler nada deste japaricano. No entanto, no decorrer das buscas pela página da FNAC sempre encontrei dois trabalhos de Moraes. Só falta que a página funcione.
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19.8.07
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sábado, 18 de agosto de 2007
No livro de que tenho vindo a falar encontrei esta página:
http://www.clausewitz.com/CWZHOME/
É uma página escrita em inglês, com bastante informação sobre o Prussiano.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007
A popularidade de Sun Tsu
No início do "confronto" entre Sun Tsu e Clausewitz no livro Estratégia O Grande Debate" o autor, com um rigor que incute a todo o livro, alerta imediatamente para o facto de a obra de Sun Tsu consistir em 30 páginas enquanto a de Clausewitz (e ficando apenas pelo Vom Kriege) conta com 562. A popularidade de Sun Tsu em áreas do conhecimento como a gestão não será alheia a este aspecto. Não fosse a gestão a área com nascente situada num país pouco amigo do conhecimento e muito dado aos "casos de sucesso".
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13.8.07
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Estratégias infalíveis (parte 1 de 2)
Continuando a seguir Clausewitz podemos encontrar alguém que no princípio do séc. XIX já alertava para alguns problemas que aparentemente se agravaram nos dias de hoje em campos do conhecimento além da estratégia. As seguintes citações encontram-se nas páginas 126 e 127
do livro Estratégia o Grande Debate:
"A teoria não consegue apetrechar o intelecto com fórmulas para resolver os problemas..."
"Somente a parte analítica destas tentativas de teoria constitui um progresso no domínio da verdade; a sua parte sintética, que inclui prescrições e regras, é completamente inutilizável. Elas visam grandezas certas quando tudo na guerra é incerto e todos os álculos se fazem com grandezas variáveis. Elas só consideram grandezas materiais, enquanto que o acto da guerra é todo ele compreendido de forças e de efeitos espirituais e morais. Apenas têm em conta a actividade de um só campo enquanto que a guerra repoussa numa acção incessante que os dois campos exercem um sobre o outro."
Aquilo que encontramos não é um relativismo ou tentativa de redução do valor das teorias, apenas se pretende destacar os limites do nosso conhecimento e os perigos de tentar resolver problemas complexos como o da guerra com receitas simples, repetíveis e infalíveis. Esta ideia de prudência, de consiência das limitações das teorias, é aplicável a campos como o da Economia - possivelmente aquele que tem sido mais tentado seguir o caminho que devemos evitar. Mas com o monismo metodológico que podemos considerar que enfrentamos não é de todo surpreendente que tal se verifique. É no entanto extraordinário que a ideia de solução infalível não se desgaste, após o inevitável fracasso apenas se muda a solução infalível - não a ideia de infalibilidade.
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razio
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domingo, 8 de julho de 2007
A maravilha do mundo
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro, 07/03/1914; Athena, nº 4, Janeiro de 1925
retirado em http://www.astormentas.com/
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