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sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril



Não é que não existam camélias em abundância no nosso país. Mas, se há flor que nos distingue dos outros, ela será o cravo.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Equívoco

Não estava a par de que na Turquia o véu islâmico não era permitido às mulheres que frequentam a universidade. Aprovou-se agora a revogação de tal prática que não compreende que a laicidade que se promove é a do Estado e não a dos cidadãos. Mas os movimentos anti-religiosos militantes tentam afastar as leis da constituição recorrendo a ela - e ignoram que está presente na mesma o direito de liberdade religiosa. Digo isto sem conhecer a constituição turca mas ciente que ideias como as da sua constituição vêm do movimento moral que os países mais ricos da Europa impuseram e que será o moralmente superior até surgirem nações mais ricas com código diferente.

notícia

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Os engenheiros e a fé

Em debate na SIC notícias Francisco Van Zeller afirma, com grande convicção, que o estudo que deu origem a novo estudo do LNEC e há hipótese Alcochete foi feito apenas por engenheiros. Como economista não preciso de ouvir mais nada. Já começo a conhecer bem o rigor e acuidade dos engenheiros - especialmente nos negócios. E assim que se metem engenheiros num assunto entra logo a análise "técnica", e isso tem uma magnificência semelhante às tábuas da lei. Como economista parece-me que a minha área é que devia ter a palavra final sobre as análises técnicas dos engenheiros.

Felizmente está na mesma sala Henrique Neto, a mostrar como se pensa em economia. E como é infeliz esta decisão de Alcochete.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

O acordo ortográfico

Mais um artigo de Vasco Graça Moura sobre o acordo ortográfico, exemplificando bem que nada de bom resulta do mesmo. Neste artigo fica mais claro que só pessoas que não percebem de política, língua e globalização podem achar positivo este acordo. Só espero que não seja a maioria.


Artigo

domingo, 25 de novembro de 2007

Ideologia implícita

Retiro este pequeno excerto de uma entrevista a Mário Soares. É com muito gosto que vejo mais alguém reconhecer que as ideologias não terminaram e que o neoliberamismo é uma ideologia. A situação que talvez seja atípica é a de essa idelogia não ter quase mais nenhuma capaz de competir com ela. Além disso tem a força de descer ao desejo de posse dos homens, a esse vício que nos consome mesmo sem nos dar prazer.

Reconhecer que existe uma ideologia é o primeiro e mais importante passo para criar ideologias alternativas. E Mário Soares, nesta entrevista, dá o seu contributo.


DN - Agravaram-se porquê?

MS - Agravaram-se porque houve uma vaga neoliberal.

DN - Acha que os políticos em Portugal têm sido muito condescendentes com os grandes grupos económicos e com essas desigualdades?

MS - Bem, os grupos económicos são necessários. Mas eu acho que houve uma vaga neoliberal vinda da América. E essa vaga neoliberal é uma ideologia. Quando disseram que acabaram as ideologias... realmente acabou o comunismo por implosão, acabou o nazi-fascismo porque foi derrotado, mas veio o neoliberalismo, que é uma outra ideologia perniciosa para a América, em especial, e para o mundo, também para a Europa. Houve uma vaga que entrou...

DN - Por onde?

MS - Em grande parte via [Tony] Blair.

entrevista

sábado, 27 de outubro de 2007

Aquilo que não sei

Ao ver este vídeo constato que desconheço muito do pós 25 de Abril. Os nomes são-me estranhos ou apenas vagamente familiares, as situações são-me desconhecidas. A postura deste PM é invulgar e com muita pena vejo que durante os 12 anos de frequência do ensino básico e secundário não houve tempo para expor convenientemente este período fundamental. Mas falei do "star system" de "hollywood" na disciplina de história. Prioridades...

No vídeo o entrevistado é José Pinheiro de Azevedo. Chamam-no fascista nos comentários do youtube, confesso que nada sei sobre ele.

domingo, 21 de outubro de 2007

A. Cunhal vs. M. Soares

Então podem fazer-se debates sem jornalistas a segurar trelas que prendem os políticos? Não é que nessas condições eles debatem mesmo! Extraordinário!

Parece que hoje em dia para ver debates temos de recorrer ao arquivo da rtp.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

No Abrupto podemos encontrar um texto de Boaventura Sousa Santos sobre a invasão e destruição parcial do campo de milho (?) transgénico. Um texto impecável, irrepreensível e completamente incompreensível para um mundo de gente que não gosta de pensar. Não se trata de uma legitimação de um movimento, apenas de como se desenrolam certos tipos de acção.

O 25 de Abril de 1974 foi ilegal, o 24 de Agosto de 1820 foi ilegal, o 1 de Dezembro de 1640 foi ilegal. Nem quero imaginar o que diriam estes comentadores do vital 1 de Fevereiro de 1908! É claro que estes acontecimentos não são de forma alguma comparáveis com um simples ataque a um campo de milho. No entanto não se trataram de acontecimentos instantâneos, desenvolveram-se a longo do tempo, foram ganhando dimensão lentamente. Nessas fases de crescimento sofrem-se os riscos e praticam-se as "ilegalidades" - nos encontros, nos pequenos actos de revolta, na conspiração.

Nos dias que correm já poucos crêem que no futuro existirão revoluções. É a arrogância das democracias - apesar das inúmeras falhas ideológicas e de governadas por uma maioria tonta não deixam de se achar inabaláveis. Falte o dinheiro e veremos onde pára a robustez dos nossos valores "universais".

domingo, 9 de setembro de 2007

C.C.B.

Ao homem desamparado não se lhe podem pedir contas do pacto social, porque a sociedade não quis aliança com ele quando o desamparou. Ao homem do trabalho, que subsiste do seu salário, se lhe tiram a enxada da mão, concedem-lhe o direito tácito de se revoltar contra alguém que o alimente. (...)

Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade! Tudo aqui é pequeno: nem os ladrões chegam à craveira dos ladrões dos outros países.

Citações de Camilo Castelo Branco em Vida do José do Telhado.

Nestas passagens encontro dois elementos de relevo. Um é a da justificação da pobreza extrema para o saque. É de realçar no entanto que tal argumento só se aproveita quando a palavra pobreza vem acompanhada da palavra extrema, coisa cada vez mais rara no nosso país e continente.

Na segunda passagem algo mais frequente, a tentativa de enfiar na máquina e a 90º o nosso povo de algodão. O comentário, directamente do século XIX, mostra que não só temos o hábito de encolher em pouca água a ferver, como que o tamanho já era o "XS". Serve de exemplo para aqueles que acreditam que umas poucas décadas do século XX moldaram as mentes dos portugueses. Não, esse espírito já vem de outros tempos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Num artigo do DN intitulado "o que falta para sair da crise" César das Neves aponta um dos graves problemas da política e da mentalidade tecnocrática. Pode-se resumir a texto na ideia de que se não avançamos é porque não sabemos para onde ir, nem sabemos bem onde estamos. Em termos de economia vai ao fundamental: é uma questão com uma forte ligação à componente cultural.

Actualmente é-me mais fácil compreender pessoas assim, com ideais ou fé, do que os comentários mais gerais e comuns. É quase como se todos os que acreditam em algo tivessem facilidade em ver o inimigo comum, o nada - esse adversário complicado.




Um pouco antes passei por este artigo, que passo a citar (sem pretender nenhuma carga negativa para o primeiro artigo):

"O dinheiro tornou-se mais e mais um Deus ao qual todos tinham que servir e diante do qual todos tinham que se prosternar. O Deus Celestial tornou-se mais e mais uma velharia ultrapassada e foi posto de lado para dar espaço ao culto de mammon. E assim começou um período de total degeneração que se fez especialmente pernicioso porque ocorria num tempo em que a Nação necessitava de ideais grandiosos, pois a hora crítica aproximava-se. A Alemanha deveria ter-se preparado para proteger com a espada seus esforços de ganhar o pão de cada dia pacificamente. Infelizmente, a predominância do dinheiro recebeu apoio e sanção daqueles que deveriam ter-se oposto a ela. (...). Na prática, contudo, todas as virtudes ideais passaram para o segundo plano em relação ao dinheiro, pois estava claro que, uma vez tomado esse caminho, a nobreza da espada brevemente seria suplantada pela finança (...). Um sério estado de ruptura económica era urdido pela lenta eliminação do controle pessoal dos investimentos e a gradual transferência de toda a estrutura económica para as mãos das sociedades por acções (...). Desse modo, o trabalho foi rebaixado a objecto de especulação ao alvedrio de exploradores sem escrúpulos. A despersonalização da propriedade aumentou em grande escala. Os círculos financeiros passaram a triunfar e progredir lenta mas seguramente na assunção do controle de toda a vida nacional. A melhor prova de quão longe essa "comercialização" da nação alemã fora longe pode ser vista claramente após a guerra, quando um dos principais industriais alemães afirmou que somente o comércio poderia reerguer a Alemanha."


Adolf Hitler, Mein Kampf


O sucesso da recuperação alemã, em termos económicos e políticos, revela a importância que um ideal combinado com uma cultura capaz de "fazer" traz tudo o que é necessário para o desenvolvimento sem estar constantemente a falar, de forma vazia, em competitividade. Claro que nem todos os ideais são bons, apenas a utilidade dos mesmos é garantida.

sábado, 25 de agosto de 2007

Ultimamente vejo bastantes mulheres grávidas, o que é sempre uma visão animadora.

Ouço ainda histórias de homens de meia idade indignados por as grávidas passarem à frente na caixa prioritárias do supermercado. Será talvez melhor evitar os assuntos tristes.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

(...) Alguém poderá dizer: "Não te envergonhas, Sócrates, de teres levado uma vida como essa que todos nós conhecemos, e que hoje te conduziu ao risco de pena de morte?". A esse eu replicaria justamente: "Enganas-te, amigo, se julgas que um homem com algum mérito, por fraco que seja, deve ter em conta o risco de viver ou de morrer, em vez de ter unicamente na ideia quando actua, se o que faz é justo ou injusto, se é digno de um homem de bem, ou de um malvado. Na tua opinião, seriam desprezíveis todos os semideuses que morreram em Tróia, incuindo o filho de Tétis, que, para fugir à desonra, de tal modo despresou o perigo que, sua mãe (e era uma deusa!) vendo-o impaciente por matar Heitor lhe diz mais ou menos isto: "Meu filho, se vingares a morte de Patrocolo, derramando o sangue de Heitor, tu morrerás também, porque, morto Heitor, a morte está no teu destino". - Ele, não obstante o aviso, receando muito mais uma vida de covardia, sem ter vingado o amigo, desafiou a morte: "Que eu morra imediatamente - exclamou - depois de ter punido o malfeitor, e não fique exposto ao escárnio, inútil carga de terra junto às curvas naus."

Platão, Apologia de Sócrates

sábado, 28 de abril de 2007

O exagero da virtude

Esta notícia do DN é interessantíssima. É uma pena que o ex-primeiro ministro de Espanha não falar assim quando não era "ex-primeiro-ministro". Mesmo assim vale a pena ver o que ele tem a dizer e passo a citar o artigo:

"Falando para mais de uma centena de empresários, políticos e opinion makers, o antigo líder do Partido Popular considerou o multiculturalismo a "negação da sociedade democrática". Ao contrário do que alguns políticos defendem, Aznar não o vê como exemplo de tolerância. Pelo contrário. "Não é o mesmo uma Europa com 10% de imigrantes do que com 40%", assim como "não é o mesmo com maioria cristã ou muçulmana". Para o ex-governante, "os líderes políticos devem reflectir sobre as fronteiras da União Europeia, recuperar os nossos valores e não pensar só no politicamente correcto"."

O multi-culturalismo como anti-democrático deveria ser algo bastante óbvio para qualquer pessoa que tenha noção que as culturas são diferentes. Com culturas diferentes o princípio do voto fica desvirtuado, deixa de ser uma questão de democracia para uma ditadura da maioria. Depois há o problema de articular as culturas que vai resultar na anulação, pelo menos na vida pública e política, da generalidade das culturas. A democracia não é tolerante, trata-se apenas de um sistema que foi criado a pensar num tipo de mundo, um mundo em que existe uma cultura num espaço, uma cultura que não tem de prestar vassalagem a outras culturas e decide por si.

Sobre uma Europa com 10% de imigrantes ou com 40% ser diferente, aí está um comentário extremamente evidente. Impressiona neste comentário é a falta de percepção que geralmente os cidadãos têm do fenómeno. Claro que não ajuda o facto de nesta sociedade "tolerante" sermos imediatamente acusado de xenofobia por dizer uma frase como aquela.

Há muitos anos, no lado errado do Atlântico, começou o politicamente correcto. Felizmente que alguns líderes, e é uma pena que são apenas de direita, estão a começar a desgastar esse conceito infame, de tal modo que até começo a desejar que ganhem eleições. Aznar não disse nenhuma "inverdade".

P.S.: só numa altura de pleno politicamente correcto uma palavra como "inverdade", que nem chega a merecer o estatuto de palavra já que não passa de um grunhido, poderia ser usada com tanta frequência.

sábado, 14 de abril de 2007

Se podia 100, porquê só 30?

Foi transmitido durante a semana um documentário sobre Portugal desenvolvido por António Barreto. O assunto era a mudança de vida e de modo de vida com a passagem da maior parte dos Portugueses de um ambiente rural para um ambiente urbano. Já tinha noção de grande parte do que foi abordado, o que não foi suficiente para impedir o choque com aquelas imagens e situações. Mas que não haja equívocos, os bairros de lata do passado (e presente) são muito menos chocantes do que o desperdício de vidas em filas de carros.

É feito um relato bastante extenso, na primeira pessoa, de uma mulher que mora a 1h30 do local de trabalho. Trata-se de uma mulher na casa dos 30 anos, mãe de 2 filhos, que tem um dia impossível. Começa às 5h da manhã e acaba à 1h da manhã - em princípio aquelas 4h que sobram são para dormir. Tudo me parecia terrível, uma mulher condenada a trabalhos forçados!, até que chega a parte de explicar melhor o trabalho que faz...
Esta mulher é proprietária de um centro de estética, trabalha por conta própria. Abre às 9h, não encerra para almoço e, desde que o marido passou a ter disponibilidade para ir buscar os filhos à escola, fecha só às 8h da noite. Todo este sacrifício e tempo de trabalho é a pensar nos filhos, nas suas palavras "não lhes vou dar 30 se posso dar 100". Não se trata portanto de uma questão de grande necessidade.
Ao fim de contar esta história de trabalhos forçados e lhe perguntam qual é o maior sacrifício que faz por ter uma vida assim; ela responde que é não poder estar com os filhos. Diz que eles sentem a falta dela, principalmente o mais novo, e que quando chega a casa jáé tarde e tem de executar mais algumas tarefas - o que é impeditivo de passar qualquer quantidade de tempo com os fihos.

Parece que nesta coisa de dar aos filhos há 2 tipos de 100 e de 30, sendo a prioridade orientada para a, menos valiosa?, criação de valor. Com o passar do tempo as 100 coisas que os pais puderam dar aos filhos vão-se desgastar, desaparecer, e com esse desaparecimento vai todo o legado que deixaram. Talvez transmitam uma coisa: uma distorcida noção de prioridades.

Os problemas de sempre no trânsito.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Pela boca morre o peixe

"A única coisa pior do que falarem de nós, é não o fazerem."
(Wylde)

Não se falou muito do Infante D.Henrique nos últimos tempos. ninguém se lembrou, pelo menos até ontem, de o chamar fundamentalista religioso, terrorista cristão, pai das desgraças da globalização. Não, dele apenas se disse o banal, teve um documentário bem humorado, mas isso não chega. Sem polémica não há necessidade de defesa do infante, sem polémica não se fala do infante. Já toda a gente sabe que ele é um grande português, eu até achava que era o maior, mas não teve sorte. Já não tem amigos nem inimigos, e já se sabe, a única coisa pior do que falarem de nós, é não o fazerem.


Outras figuras têm mais sorte. Ou menos estabelecidas como figuras, ou com amigos e inimigos ainda vivos. Deles há muito para dizer, discutir, para levar demasiado a sério. Até nos Grandes Portugueses se conseguiram arranjar os três grandes, quem sabe até um sistema! Desses podemos confirmar que a única coisa pior do que falarem de nós é não o fazerem. Tivessem os ruidosos estado calados e podiam evitar o que desejavam evitar (e eu podia ter evitado ouvi-los!, o que seria ainda melhor). Mas não, gente sem tacto nem trato, inventaram logo um sistema para ter o resultado contrário ao que pretendiam.

Por fim, posso dizer que a única coisa pior que falarem dele, é não o fazerem. Afinal, que sei eu de Salazar? Muito pouco e com pouca fiabilidade. Daí que convenha falar dele, tal como eu muitos outros desconhecem Salazar. Na verdade, quase ninguém o deve conhecer já que o que se sabe é profundamente propagandístico. Até o Diabo deve ter as suas virtudes, só não teve oportunidade de ter algum apoiante a escrever na bíblia.
Infelizmente não é possível falar de Salazar. A geração anterior à minha, a tal geração que fracassou, vive da propaganda - seja ela para o lado da luz ou da escuridão... ficarei pouco melhor em termos de conhecimento depois do que se disse sobre ele no programa de televisão.

Hoje pude ver este artigo (poderia chamar-se as grilhetas da liberdade). Ontem pude ver como o princípio democrático do voto é bem aceite... desde que vá no sentido que desejamos. Talvez devessem falar mais de Salazar, para saber o que de facto se passou. Pelo menos ninguém pode acusar Salazar de inventar contratos de trabalho de 3 meses (no futuro isso também deverá ser motivo de debate...).
Quando não se fala o suficiente da realidade e se vive de propaganda corre-se o risco de repetir erros e de fracassar nas intensões. Parece que, em muitos sentidos, pior do que falarem dele, é não o fazerem.


PS: confesso-me indignado, mas com um finalista que ficou em terceiro por salvar uns poucos de judeus. Os portugueses são maiores do que isso...

segunda-feira, 19 de março de 2007

Capítulo XVIII, Séc. XXI

Maquiavel deu ao capítulo XVIII de "O Príncipe" o título "Guardemos-nos de ser odiados e desprezados" (de contemptu et odio fugiendo). Nele encontraremos esta passagem bastante actual:

O reino da França é dos mais bem ordenados e governados de que se tem conhecimento no nosso tempo. Nele se encontram inúmeras e boas instituições, das quais dependem a liberdade e a segurança do rei. A primeira é o parlamento e a sua autoridade, pois aquele que estabeleceu a forma de governo deste reino, conhecedor da ambição e da presunção dos mais importantes e achando que precisavam de qualquer espécie de freio para os sofrear, e conhecendo também o ódio, baseado no medo, que a maiora tem pelos grandes, e desejando tranquillizá-la, achouque convinha poupar ao rei o rancor que inspiraria aos grandes senhores, ao aliviar o fardo da arraia miúda, ou esta, ao favorecer os gentis homens. Por isso constituiu um terceiro juiz, que, sem que o rei crie inimigos, castiga os grandes e favorece os pequenos. Esta instituição não poderia ser melhor, nem mais sensata, nem proporcionar maior segurança ao rei e ao reino. Daqui se pode tirar uma boa advertência: os príncipes devem confiar a outros os papéis que concitam rancores e tomar para si os que atraem o reconhecimento. Repito, outra vez ainda, que o príncipe deve prestar atenção aos mais importantes, mas sem se fazer diar pelo povo.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Portugal vs Rocky

Acabou de sair um filme do Rocky, e é um filme bastante interessante. Uma das cenas do filme é particularmente adequada para os portugueses, e vem precisamente de um personagem que não é dos mais inteligentes que já foram criados.

O Rocky nessa cena está a dar um sermão ao filho, filho que dizia que a fama do pai o punha na sombra, que culpava um pouco o pai pelas suas dificuldades de integração. O pai apenas lhe fez mostrar que a vida é dura para todos e que ele está a arranjar desculpas para as fraquezas que tem.

O Ballboa filho fez-me lembrar Portugal. O programa Grandes Portugueses mostrou o quanto uma certa parte da população tem dificuldade em justificar o seu próprio fracasso e culpa o Estado Novo por tudo. Já tinha visto esse fenómeno no livro "Portugal: o medo de existir", parece que foi Salazar que inventou Portugal, que antes não existia nada. Ou pior, dá a ideia de que Portugal era um espaço fantástico e que as agruras da ditadura é que estragaram tudo. Antes tínhamos um ensino muito à frente do alemão, uma cultura que ultrapassava a francesa num piscar de olhos, um império que fazia inveja aos ingleses. O Estado Novo é que nos veio atrasar, nós antes éramos a inveja de todo o mundo, e se agora não somos outra vez os maiores é porque o Salazar nos mutilou e não somos capazes de fazer nada.

Responsabilizar um pequeno espaço da nossa história por tudo o que é mau é digno de cobardes fracos, que é o que uma boa quota de portugueses é - e não foi invenção de Salazar. Felizmente parece que já há muitas pessoas capazes de ver para além da demonização de figuras.


Mas agora já não é preciso fazer mais as pazes com a história, vão lá votar no Infante D. Henrique.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Aborto e o comunismo de quando existia comunismo

O Abrupto.blogspot.com apresenta o que seria uma provável opinião de Cunhal sobre o aborto. Depois de escrever a "A cor do ar" ler estes textos foi uma coincidência surpreendente. O texto está divido em duas partes:
Parte 1
Parte 2

É estranho mas consigo concordar com uma grande parte desses textos. Apesar de alguns excessos normais na propaganda há um fundo de verdade no que foi escrito.

Votaria Cunhal no Sim ou no Não?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Natal, uma falta de bom senso

Imagine uma mulher de 19 ou 20 anos, oriunda de uma família pobre e que se vê a braços com uma gravidez indesejada. Essa jovem é casada, mas o marido não só é pobre, um mísero carpinteiro, como também não é pai do filho que a mulher carrega, facto que lhe provoca algum transtorno. Vamos chamar-lhes Maria e José, nomes fictícios.

Para uma situação destas que dita o nosso refinamento de civilização superior? Ora vejamos:
- família pobre, não garante o sustendo da criança nem lhe garante um futuro promissor;
- gravidez indesejada numa rapariga praticamente adolescente e casada com um homem que não é pai da criança, elemento que não garante condições harmoniosas para o crescimento da criança.

É bastante óbvio que o filho destes dois, mais de um que de outro, não tem futuro e será um caso perdido. O mais provável é tornar-se um delinquente, um criminoso, acabará os seus dias metido em problemas com a lei, será julgado e condenado.

Neste caso uma insistência por parte de Maria e José, nomes fictícios, em levar a gravidez até ao fim seria uma grande inconsiência, reveladora de um sentimento egoísta em relação à criança que vem ao mundo apenas para sofrer. É um daqueles casos evidentes em que o aborto é a melhor solução.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Andar em círculos

Nas considerações sobre os EUA do Planisfério Pessoal surge o assunto das várias mudanças de casa, cidade, estado, que um americano faz ao longo da sua vida. Simultaneamente o cenário americano é caracterizado pela igualdade, o espaço parece homogénio, muda-se de cidade e não se nota a diferença. Cidades iguais, com as mesmas lojas, os mesmo restaurantes, os mesmo cafés, até as mesmas casas. Segundo o texto 75% das vivendas americanas segue o mesmo modelo, um americano pode mudar de casa e passar para outra exactamente igual - só tem de se adaptar ao novo número da porta.
Num país onde se fala a mesma língua e onde tudo é idêntico as viagens e mudanças de casa são uma caricatura, Mudamos de sítio e sem que grande coisa se altere. Como a descrição da américa também não é muito favorável no que toca às relações humanas, a viagem torna-se ainda mais fácil, até os amigos parecem padronizados.

É difícil considerar o país como a terra da igualdade, é antes a terra da não-diferença. É a irona da terra do capitalismo ter um nível de padronização só comparável ao dos Estados comunistas.

You can paint it any color, so long as it's black ainda é o melhor lema sobre a liberdade de escolha no capitalismo mais aguerrido.