quarta-feira, 11 de Março de 2009

The last Metroid is in captivity. The galaxy is at peace.

Quando muitos se entregam a delírios cinematográficos e literários sobre a narrativa nos jogos de vídeo, eis que surge um artigo de um escritor a abordar a narrativa dos jogos enquanto forma própria de comunicação. E que melhor exemplo que um de um jogo antigo como os da série Metroid, anterior à invasão de "artistas" nos jogos de vídeo.
(A Samus Aran é uma mercenária que combate os piratas espaciais.)

Daniel Galera lembra-se daquilo até hoje. Ainda não tinha nove anos, estava a jogar Metroid, o videojogo, e não sabia o que o esperava. Estava a controlar "um pirata espacial", que envergava uma armadura com capacete e entrava em planetas estranhos para matar alienígenas. Até que chegou ao final do jogo, fez a personagem tirar o capacete... "E apareceu um cabelinho loiro. Era uma mulher. Foi uma surpresa narrativa muito grande", conta Daniel Galera, 29 anos, sentado no sofá de um hotel, na sua primeira visita a Portugal. Participou no Correntes d'Escritas, encontro de escritores de expressão ibérica na Póvoa de Varzim, onde lançou o romance "Mãos de Cavalo" (ed. Caminho).

O jogo omitia o visual da personagem por dentro daquela armadura e quem jogava assumia naturalmente que era um homem. "Hoje todo o mundo sabe que Samus Aran é uma mulher. Mas no primeiro jogo da série, nos anos 80, foi uma coisa forte. Escrevi até um artigo sobre isso, dizendo que falam muito do final do 'Grande Sertão Veredas', de Guimarães Rosa, em que se revela que Diadorim na verdade era uma mulher, e eu falava que, para mim, Diadorim foi na verdade Samus Aran. Tive o mesmo choque que as pessoas que leram 'Grande Sertão Veredas' pela primeira vez sem saber o final."

"Não mudou a minha vida", acrescenta. Mas é um exemplo que gosta de usar "para argumentar que videogames [videojogos] também são uma forma de narrativa que pode ter profundidade apesar de muitas pessoas não acreditarem nisso."

Público

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